Use a psicologia científica para otimizar sua aprendizagem

 

É Setembro, o que significa que o Outono chegou para aqueles no hemisfério norte. As folhas estão mudando de cor, os dias estão ficando mais frios e os estudantes estão se preparando para suas primeiras provas do meio do semestre. Visite qualquer campus universitário e você provavelmente verá estudantes se arrastando para a biblioteca com marca-textos e apostilas em mãos, prontos para outra sessão de estudos regada a cafeína.

 

Felizmente, uma variedade de pesquisas em psicologia cognitiva nos fornece alguns esclarecimentos quanto ao que os estudantes devem fazer para fechar suas provas. Em um artigo publicado na revista Perspectives on Psychological Science, um grupo de cientistas procurou destilar estas descobertas em um conjunto de dicas especialmente úteis a estudantes.

 

“Nosso objetivo para o artigo foi escrever um guia sobre como estudantes podem se sair bem na escola, com as sugestões vindo de pesquisas em psicologia”, disse Adam Putnam, autor líder do artigo e professor assistente visitante de psicologia na Carleton College. “Enquanto há muitas outras boas revisões acadêmicas sobre estratégias de estudo efetivas, nós quisemos fazer um pequeno resumo que se focou em coisas que estudantes e professores podem colocar em prática imediatamente.”

 

O artigo oferece sugestões baseadas em evidências que os estudantes talvez já ouviram muitas outras vezes: vá para a aula, faça leituras, encontre um lugar quieto (sem distrações) para estudar e seja organizado. Estas sugestões podem parecer de senso comum, mas a ciência mostra que este tipo de prática realmente importa.

 

Outras recomendações baseadas em evidências, entretanto, podem parecer menos intuitivas. Por exemplo, muitas estratégias que estudantes conhecem e amam – destacar o texto enquanto lê ou ficar até tarde da noite estudando antes da prova – são efetivas somente a curto prazo. Elas podem ajudar para a prova de amanhã, mas provavelmente não levarão você a aprender de uma forma que dure até o fim do semestre.

 

Por outro lado, as estratégias que de fato funcionam – como realizar uma prova para praticar – requerem mais esforços a curto prazo. A recompensa destas práticas que exigem muito trabalho é que elas tendem a produzir um aprendizado mais profundo, que dura por muito tempo. Algumas das sugestões incluem:

 

  • Estude um pouco todo dia. Uma das descobertas mais robustas em toda psicologia cognitiva é o efeito do espaçamento, que mostra que aprendermos ao longo de várias sessões de estudo, distribuídas ao longo do tempo, é mais efetivo do que tentarmos juntar tudo em uma sessão.
  • Leia, Enumere e Revise. Reserve 5 minutos para escrever um resumo das principais ideias de um capítulo após terminar a leitura (isto também é conhecido como praticar a recuperação de informações), ao invés de ir resumindo ao longo da leitura. Após isto, cheque o que você entendeu e o que você deixou escapar antes de continuar os estudos.
  • Escreva notas à mão ao invés de as digitar no laptop. Você estará menos propenso a se distrair (ou distrair seus colegas de sala) com vários apps e websites, além de que o ato de escrever à mão pode até mesmo contribuir para que você se lembre mais.
  • Teste-se quando há ideias principais. Cartões com pequenas informações (flash cards), questionários para praticar e amigos para testar seus conhecimentos irão ajudar você a praticar recuperar informações de sua memória, e esta é uma das melhores formas de se aprender algo de maneira duradoura.

 

Os autores também fazem sugestões quanto ao gerenciamento efetivo de tempo e de tarefas, além de também dizerem sobre a importância da manutenção de um equilíbrio saudável entre trabalho e outros aspectos da vida. Eles até mesmo revisaram algumas descobertas que sugerem que fazer exercícios e dormir o suficiente pode melhorar a criatividade e garantir que memórias sejam guardadas na memória de longo prazo.

 

“Alguns estudantes podem realmente se beneficiar ao tomar um tempo para pensar como eles estão abordando os estudos”, disse Putnam. “Eu tive estudantes que fracassaram a primeira prova em sala, mas que facilmente passariam na próxima prova caso nós tivéssemos uma conversa de 15 minutos sobre estratégias de estudo.”

 

Mesmo que o artigo tenha sido escrito tendo em mente estudantes universitários do primeiro ou segundo ano, as estratégias de estudo provavelmente irão ajudar estudantes de todas as idades. “Depois que nosso artigo foi publicado, nós recebemos e-mails de vários lugares ao redor do mundo sobre como estudantes e professores estão colocando em prática nossas sugestões”, disse Putnam. “É definitivamente um exemplo legal de como a psicologia científica pode impactar o cotidiano das pessoas.”

 

O relatório, que tem Victor W. Sungkhasettee e Henry L. Roediger III, da Washington University em St. Louis, como coautores, está disponível de graça, e os leitores são encorajados a compartilhá-lo com professores e estudantes que conheçam.

 

 

REFERÊNCIA

 

Putnam, A.L., Sungkhasettee, V.W., & Roediger, H.L. (2017). Optimizing learning in college: Tips from cognitive psychology. Perspectives on Psychological Science, 11, 652-660. doi:10.1177/1745691616645770

 

 

Tradutor: Jerônimo Gregolini Pucci

Artigo originalmente publicado pela Association for Psychological Science (APS).

Meus principais interesses são Filosofia da Psicologia, Filosofia da Mente e Psicologia Experimental. Penso que a divulgação da ciência psicológica e dos campos da filosofia relacionados ao empreendimento científico em Psicologia é uma importante forma de se combater a pseudociência e os abusos pós-modernos dentro do cenário acadêmico de Psicologia no Brasil. Sou Psicólogo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Amo video games e tenho um gosto peculiar para música.

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