Suas visões negativas sobre o futuro, sobre si e sobre o mundo estão te afetando!

Fonte: http://www.the-open-mind.com/the-top-5-b-s-excuses-for-thinking-negatively/

 

Alguns filósofos antigos já diziam que o modo como se pensa o mundo é importante para quem deseja ter uma vida saudável. Seguindo estes propósitos – e muitos outros – Aaron Beck, um ex-psicanalista, em meados dos anos 60, tentava provar a depressão através do viés psicanalítico, a saber, o indivíduo que dispunha de hostilidade retrofletida reprimida (KNAPP et al., 2008, p. 56). A partir de suas descobertas, Beck observou que os indivíduos com depressão apresentavam um estilo de pensamentos negativos sobre si mesmos, sobre o mundo e sobre o futuro, o que nomeou de tríade cognitiva negativa.

 

Para falar um pouco sobre isso, preciso iniciar a ideia de esquema cognitivo. O chamado “esquema cognitivo” nada mais é do que uma estrutura mental que faz a organização dos estímulos e percepções que recebemos diariamente. Estes esquemas são baseados na noção de processamento de informações e são padrões mentais rígidos que uma pessoa carrega consigo ao longo de sua vida. Em suma, nossos pensamentos automáticos são decorrentes de esquemas cognitivos formados durante a nossa vida.

 

O primeiro aspecto da tríade cognitiva é a maneira como uma pessoa pensa sobre si mesmo. Esta pessoa, que ignora diversos aspectos da realidade, aplica sobre si uma distorção cognitiva chamada abstração seletiva. Essa abstração nada mais é do que chegar a uma conclusão depois de examinar apenas uma pequena porção das informações disponíveis. Os dados importantes são descartados ou ignorados, a fim de confirmar a visão tendenciosa que a pessoa tem da situação (WRIGHT et al. ____, p. 22). A partir desta distorção, o indivíduo vê a si mesmo como defeituoso, doente, sem valor, incapaz de ser alguém “normal”, além de se sentir despreparado e ineficiente para os eventos diários. Esta visão torna o sujeito extremamente autocrítico, levando-o a desenvolver problemas como a baixa autoestima.

 

The Reality Rearranged, Tommy Ingberg

 

Com relação ao mundo, a pessoa o observa como algo extremamente desagradável e exigente, percebe o mundo lhe impondo padrões comportamentais impossíveis de serem realizados. Há a desqualificação do positivo, na qual a pessoa rejeita informações positivas sobre si ou desconsidera um evento positivo (BECK, 1979), tomando-o como mero evento do acaso ou sorte, p.ex. “tirei uma nota alta na prova porque tive sorte”. Este indivíduo é tomado pelo sentimento de insucesso, pois sente não conseguir superar as dificuldades para alcançar suas metas.

 

A visão negativa sobre o futuro, fortemente presente em sujeitos depressivos e comumente decorrente da catastrofização – distorção cognitiva na qual o sujeito prevê o futuro negativa e insuportavelmente, sem considerar outras situações possíveis –, é a maneira como a pessoa tende a enxergar um possível evento futuro de maneira negativa, antecipando seu sofrimento sem considerar que esse possa mostrar-se positivo. Esta visão é marcada por crenças de que tudo acontecerá de forma errada ou haverá dificuldades que a pessoa não conseguirá lidar, o que acarretará em sensações de desesperança e desânimo.

 

 

A tríade cognitiva negativa é algo comum em pessoas que apresentam psicopatologias, pois estes indivíduos constroem e mantém cognições desadaptativas em relação a si mesmos, aos seus mundos e aos seus futuros. A pessoa se vê como incapacitada de executar tarefas, o mundo lhe parece hostil e o futuro é amedrontador. Segundo Powell et al. (2008), uma vez que as pessoas interpretam esses eventos e expectativas de maneira distorcida, esta interpretação impulsiona o indivíduo a se comportar depressivamente e de outras maneiras mal adaptativas. Desse modo, a terapia cognitivo-comportamental baseia-se na ideia de que pessoas com pensamentos distorcidos e desadaptativos, os quais geram impacto negativo em seus humores, em seus comportamentos e em suas fisiologias, são tratáveis a partir da busca da validade das cognições, e utilizando intervenções cognitivas de reestruturação de crenças, além de técnicas comportamentais que se iniciam desde o começo com a estrutura da sessão, maior atividade do terapeuta, formulação e teste de hipóteses, prescrição de tarefas de casa, etc. (KNAPP et al., 2008, p. 57).

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

KNAPP, Paulo; BECK, Aaron T. Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 30, supl. 2, p. s54-s64, Oct. 2008 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462008000600002&lng=en&nrm=iso>. access on 23 Nov. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462008000600002.

 

POWELL, Vania Bitencourt et al . Terapia cognitivo-comportamental da depressão. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 30, supl. 2, p. s73-s80, Oct. 2008 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462008000600004&lng=en&nrm=iso>. access on 12 Dec. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462008000600004.

 

WRIGHT, J. H.; BASCO, M. R.; THASE, M. E. Princípios básicos da terapia cognitivo-comportamental.

Sou estudante de psicologia, tenho 20 e tantos anos. Já quis ser arqueólogo e astrônomo – talvez ainda gostaria de ser. Despertei meu interesse por ciência na infância quando preferia desmontar os brinquedos, ao invés de brincar com eles. Nas horas vagas gosto de conversar sobre a vida, o universo e tudo mais. Acredito que ficarei mais contente com a minha vida se puder ser metade do homem que Carl Sagan foi.

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