Steven Pinker sobre inteligência, liberalismo e alfabetização em economia

Steven Pinker palestrando na UTSC (University of Toronto Scarborough).

 

No penúltimo capítulo de seu excelentíssimo livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza: Por Que A Violência Diminuiu, o professor de psicologia da Harvard University, Steven Pinker, escreve, numa curta seção subtitulada “Inteligência e Liberalismo”:

Agora chegamos a uma descoberta que soa mais tendenciosa do que é: gente mais inteligente é mais liberal. A declaração dará nos nervos dos conservadores, não porque parece impugnar a sua inteligência, mas porque eles podem reclamar legitimamente que muitos cientistas sociais (que são esmagadoramente esquerdistas e liberais) usam a sua pesquisa para dar golpes baixos na direita, estudando o conservadorismo como se fosse um defeito mental. (Fetlock e Haidt chamaram ambos atenção para esta politização.) Então antes de me voltar à evidência que vincula inteligência a liberalismo, deixe-me qualificar a ligação.

 

Qual é a qualificação? Escreve ele:

Mas a qualificação chave é que a escada rolante da razão prediz somente que inteligência deve se correlacionar com liberalismo clássico, que valoriza a autonomia e o bem-estar de indivíduos em detrimento às restrições da tribo, autoridade e tradição. (itálico no original)

 

Na seção seguinte, subtitulada “Inteligência e Alfabetização em Economia”, escreve Pinker:

Agora uma correlação que irritará a esquerda tanto quanto a correlação com liberalismo irritou a direita. O economista Bryan Caplan também olhou nos dados da General Social Survey e descobriu que gente mais inteligente tende a pensar mais como economistas (até depois de fazer controle estatístico para educação, renda, sexo, partido político e orientação política).

 

São mais simpáticos à imigração, mercados livres e livre comércio, e menos simpáticos ao protecionismo, políticas de criação de empregos e intervenção do governo nos negócios.

 

É claro que nenhuma dessas posições se relaciona diretamente com a violência. Mas se ampliarmos o foco para todo o continuum sobre o qual se assentam estas políticas, podemos argumentar que a direção que se alinha com a inteligência também é a direção que historicamente apontou em direção à paz.

 

Pensar como um economista é aceitar a teoria do comércio gentil do liberalismo clássico, que promove as recompensas de soma positiva da troca e o seu benefício em cadeia de redes expansivas de cooperação. Isso o coloca em oposição às mentalidades populistas, nacionalistas e comunistas, que veem a riqueza do mundo como de soma zero e inferem que o enriquecimento de um grupo deve vir às custas de outro.

 

O resultado histórico do analfabetismo em economia foi com frequência as violências étnica e de classe, conforme as pessoas concluíam que os que não têm podem melhorar a sua situação somente confiscando à força a riqueza dos que têm e punindo-os pela sua avareza. Como vimos no capítulo 7, tumultos étnicos e genocídios diminuíram desde a Segunda Guerra Mundial, especialmente no Ocidente, e uma maior apreciação intuitiva da economia pode ter tido um papel (ultimamente não tem tido muito trabalho por conta da economia).

No nível das relações internacionais, o comércio tem suplantado o protecionismo do “mendiga o teu próximo” pelo último meio-século e, junto com a democracia e uma comunidade internacional, tem contribuído para uma Paz Kantiana.

 

Assim como disse Dorothy Boyd a Jerry Maguire: “Você me ganhou no oi“, eu diria a Steven Pinker: “Você me ganhou no ‘pense como um economista”‘.

 

 

Autor: David Henderson.

Tradução: Luan Rafael Marques.

Link para o original.

Este estudante de filosofia está extremamente interessado e esperançoso pelas crescentes ciências da mente. Ele acredita que podemos chegar ao consenso pelo diálogo racional e superar nossos vários tribalismos. Ele também acredita que um grande passo nessa direção é esclarecer sobre os fatos da nossa natureza e vieses, seguir o oráculo e conhecermo-nos a nós mesmos. A Rainha de Copas disse a Alice que conseguia acreditar em seis coisas impossíveis antes do café-da-manhã. Ele está quase lá.

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