Reconhecendo e questionando crenças irracionais

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Todos os seres humanos possuem crenças, seja sobre os outros, sobre as coisas do mundo ou sobre si próprios. Durante muito tempo as pessoas acreditaram que a terra era plana, e atualmente eu possuo a crença de que este texto poderá auxiliar algum leitor a reconhecer suas crenças irracionais. Uma rápida conceituação de crença — segundo a teoria representacional — pode ser feita da seguinte maneira: crença seria um estado mental, juntamente com desejos e intenções, que possuem intencionalidade. Essas crenças são atitudes perante o mundo, isto é, o sujeito tem uma atitude de conceber o mundo de alguma forma.

 

Fonte: http://www.psychegames.com/albert-ellis.php

Albert Ellis (1913-2007) foi um psicólogo cognitivista americano, pai da Psicoterapia Racional Emotiva Comportamental, mais conhecida como TREC. Essa psicoterapia é uma teoria da personalidade, bem como um método psicoterápico. Emprega uma grande variedade de técnicas cognitivas, afetivas e comportamentais de mudança da personalidade, assemelhando-se a outras terapias como a de Beck e Meichenbaum (RANGÉ, 2001)Ellis em suas pesquisas notou padrões de crenças irracionais nas pessoas, e que essas crenças, muitas vezes, causavam desajustes comportamentais. Verificou 12 crenças irracionais, sendo elas[1]:

 

(1) é fundamental para um adulto ser amado por todos;

(2) há certos atos terríveis e as pessoas que os cometem deveriam ser severamente punidas;

(3) é terrível se as coisas não são como queremos;

(4) a nossa felicidade é imposta a nós por fatores exteriores: pessoas e acontecimentos;

(5) se algo ou alguma coisa é perigosa e assustadora, devemos nos preocupar muito;

(6) é mais fácil evitar do que enfrentar dificuldades e responsabilidades;

(7) confiar em algo forte e superior a si próprio é necessário;

(8) é necessário ser extremamente competente, habilidoso e bem-sucedido em todas as áreas da vida;

(9) acontecimentos passados que nos afetaram devem continuar nos afetando;

(10) ter controle absoluto sobre todas as circunstâncias é extremamente necessário;

(11) a felicidade humana pode ser alcançada através da inércia;

(12) não temos controle sobre nossas emoções, logo não podemos evitar sentir algo.

 

Fonte: https://ninataboada.files.wordpress.com/2010/05/ryotiras-dificil-jb1.jpg?w=646

 

Todas essas crenças agem em nossa vida diária, nos guiando para determinadas coisas e nos proibindo de experienciar outras. Como o próprio nome já diz, elas são irracionais e acabam por gerar um nível de estresse e ansiedade além do necessário no indivíduo que as possui. Há muito gasto de energia para tentar executar uma tarefa que está associada a esse padrão irreal, p.ex. a crença irracional de número (9), e a pessoa acaba por não conseguir agir racionalmente frente aos eventos porque o campo emocional está muito desequilibrado.

 

Dentro da terapia, há algumas maneiras de fazer com que o indivíduo reconheça essas crenças irracionais e passe a contesta-las. Um dos passos iniciais é fazer com que o paciente saiba distinguir seus sentimentos, seus pensamentos e as situações que os desencadeiam. É importante que todas as crenças estejam bem definidas, para que uma atitude de distanciamento possa ser feita. A análise racional se faz necessária: qual a razão dessa crença? Existem evidências que a apoiam? Quais as probabilidades dessa crença acontecer? Por exemplo, a nossa crença de número (1), na qual a pessoa acredita que deve ser amada por todos, a pessoa que a pratica pode se questionar da seguinte forma: “como é possível ser amado por todos?” Parece ser algo além da nossa capacidade cognitiva pensar em e ser amado por “todos”. Continuando os questionamentos: o que pode acontecer e o que está acontecendo se eu continuar pensando da forma que penso?

 

Feito esses questionamentos, o terapeuta fará com que pensamentos que confrontem essas crenças irracionais sejam reforçados, desde que esses pensamentos sejam reais e lógicos. Vale ressaltar que a TREC apoia-se no método científico e na observação empírica para validação de crenças. Dessa forma, os valores da terapia de Ellis são colocadas em evidência: conscientizar o paciente de que elas criam seus próprios problemas na maneira como pensam e sentem o mundo, bem como estimular essas mesmas pessoas à mudança e a reconhecer que são capazes de promover alterações nesses problemas criados, alcançando assim os pilares centrais: felicidade e sobrevivência. Esses pilares são carregados na psicoterapia com o intuito de promover uma vida mais longínqua e com o menor desconforto possível para o paciente, fazendo com que seja evitado comportamentos autoderrotistas e alcançando uma vida mais plena e feliz por meio da racionalidade e flexibilidade.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

KNAPP, Paulo (Org.) Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artes Médicas, 2004.

 

RANGÉ, B. et al. Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. 800p.

 

[1] http://www.psicologiafree.com/conselhos_praticos/12-crencas-irracionais-de-ellis/

Sou estudante de psicologia, tenho 20 e tantos anos. Já quis ser arqueólogo e astrônomo – talvez ainda gostaria de ser. Despertei meu interesse por ciência na infância quando preferia desmontar os brinquedos, ao invés de brincar com eles. Nas horas vagas gosto de conversar sobre a vida, o universo e tudo mais. Acredito que ficarei mais contente com a minha vida se puder ser metade do homem que Carl Sagan foi.

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