Parte 3 (final): Intervenção Cognitivo-Comportamental em caso de abuso sexual

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Fonte: http://www.karinasimoes.com.br/blog/pagina/5/categoria/psicologia-1

 

Chegamos ao último texto (os outros dois podem ser acessados aqui e aqui), sobre intervenção Cognitivo-Comportamental no abuso sexual, e fecharemos discorrendo sobre a técnica de Reatribuição.

 

Os estudos realizados por Foa e colaboradores (KRISTENSEN, SCHAEFER, & MELLO, 2011) mostram que os comportamentos emitidos por indivíduos vítimas de traumas, entre eles o abuso sexual, são resultados de mudanças significativas nos esquemas desses sujeitos, ou seja, aquisição de distorções cognitivas em que a auto responsabilização é uma das cognições principais. A técnica a Torta da Responsabilidade para Culpa ou Vergonha se apresenta como ferramenta eficaz para modificação de distorções de auto responsabilização, ou seja, a culpa. A partir do gráfico o indivíduo consegue analisar todas variáveis que compõe o evento que elicia a culpa ou vergonha e pode distribuir responsabilidades às pessoas envolvidas (GREENBERGER & PADESKY, 1999; FRIEDBERG, MCCLURE, & GARCIA, 2011).

 

Os autores Friedberg e MCclure (2007) intitulam de Reatribuição o procedimento que promove a avaliação do indivíduo sobre explicações alternativas. A Reatribuição é utilizada quando o indivíduo tende a assumir responsabilidade por contingências sobre as quais não possui controle. A Torta da Responsabilidade se enquadra como uma técnica de atribuição que têm obtido resultados positivos em adolescentes e adultos, pois, permite o raciocínio e ressignificação dos elementos que compõem determinado evento, partindo do princípio de que todas as partes têm sua parcela de contribuição para que o todo se constitua (FRIEDBERG, MCCLURE, & GARCIA, 2011).

 

Abaixo temos um exemplo da aplicação da técnica de Reatribuição em uma paciente que sofreu abuso sexual:

 

Fonte: http://ap.imagensbrasil.org/images/2017/04/07/RESP.jpg

 

CONCLUSÃO

 

De modo geral, as técnicas descritas são uma pequena parte de tantas outras técnicas que podem ser utilizadas em pacientes que sofreram abuso sexual, já que, toda construção de um programa interventivo está condicionada aos objetivos que o paciente e terapeuta delimitam, característica primordial da TCC. Porém, os estudos apontam que os sintomas ansiosos, e seus atributos, são prevalentes na grande maioria de indivíduos que sofreram abuso, portanto, foi o foco desse texto. Como dito anteriormente, essas são técnicas que podem ser utilizadas em sessões iniciais, e posteriormente trataremos de técnicas para sessões intermediárias e finais como a Seta Descendente, Análise Processual, Ressignificação, Psicoeducação e Prevenção a Recaída, estas serão abordadas em textos subsequentes.

 

O abuso sexual é um tema delicado e sofrido. Dessa maneira, é importante a manutenção do Empirismo Colaborativo, seriedade e zelo pelo paciente que se coloca em intenso sofrimento, afinal, a Psicologia se dispõe, como ciência das áreas da saúde, a prover cuidado àqueles que sofrem e necessitam de auxílio, sendo sustentada por uma perspectiva integral de cuidado e proteção a todos que dela necessitam (BRASIL, 2013).

 

A TCC tem se apresentado, nesse contexto, como modelo explicativo eficaz em suas intervenções, atuando tanto à nível preventivo, quanto interventivo. Dessa maneira, se torna importante que os estudos prossigam e as discussões teóricas gerem novas suposições com objetivo de que se obtenha resultados cada vez melhores e efetivos para essa população.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. (2013). Cadernos de Atenção Básica: Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde, caderno nº34.

 

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GABEL, M. (1997). Crianças vítimas de abuso sexual. São Paulo: Summus.

 

GREENBERGER, D., & PADESKY, C. A. (1999). A mente vencendo o humor. Porto Alegre: Artes Médicas do Sul.

 

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Graduando de Psicologia e membro técnico administrativo da Comissão de Auto Avaliação do Curso de Design (2016 – atual) do Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Comunicação, Turismo e Lazer, da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Atualmente participa do projeto de pesquisa para o desenvolvimento de jogo eletrônico para o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade embasados em áreas da Neuropsicologia e Terapia Cognitivo-Comportamental, projeto financiado pelo Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), e do projeto de pesquisa para a aplicação de um grupo de Promoção da Saúde baseado em Terapia Cognitivo-Comportamental para acadêmicos de Psicologia de uma Universidade do litoral Norte de Santa Catarina. Atua como facilitador de grupos voltados à orientação parental para pais ou cuidadores de crianças entre zero e oito anos, embasados no protocolo da Association American Psychology (APA), ACT – para educar crianças em ambientes seguros. É administrador, e colaborador, do portal Revista Eletrônica de Psicologia Científica SimplesMente (2016 – atual).

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