Bases históricas da Terapia Cognitivo-Comportamental

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No início da década de 1960, um movimento científico interdisciplinar que combinou áreas da Psicologia, Antropologia e Linguística com os recentes campos da Inteligência Artificial, Ciência da Computação e Neurociência deu início à chamada Revolução Cognitiva. As pesquisas de Bandura sobre modelos de processamento da informação e a aprendizagem vicária, assim como evidências empíricas nas áreas de desenvolvimento da linguagem, levantaram dúvidas sobre o modelo comportamental vigente na época. Essas pesquisas indicavam a limitação de uma abordagem não-mediacional para explicar o comportamento humano (KNAPP, 2004; KNAPP; BECK, 2008).

 

O modelo comportamental adquire seu reconhecimento com B. F. Skinner (1904 – 1990) através da filosofia Behaviorista Radical, embasada na tradição filosófica do Pragmatismo de Willian James (1842 – 1910). Sua ideia, para chegar a uma ciência do comportamento, se difere da maior parte dos outros behavioristas. Enquanto a preocupação dos outros behavioristas era o método das ciências naturais, Skinner se limitava a preocupar-se com a explicação científica. Sustentou que uma ciência do comportamento aconteceria quando fosse possível desenvolver termos e conceitos que permitissem explicações verdadeiramente científicas (BAUM, 2008). Para a construção de seu modelo explicativo, Skinner usou como base o modelo de seleção natural de Charles Darwin (1809 – 1882), que é basicamente sustentado por dois princípios: variação e seleção. Do mesmo modo que em uma espécie existem indivíduos com diversificadas características anatômicas, os organismos também emitem vários tipos de comportamentos em um mesmo contexto: este seria o princípio de variação. E assim como algumas destas características anatômicas são selecionadas e se tornam mais frequentes em determinada espécie, alguns comportamentos são selecionados por suas consequências advindas do ambiente (BAUM, 2008; SKINNER 1953).

 

A Análise do Comportamento (AC), modelo explicativo advindo da filosofia Behaviorista Radical, enfatiza que esse modelo de causalidade deve ser aplicado a três níveis. O primeiro deles se refere à seleção natural, ou seja, a filogênese, que ocorre durante milhões de anos e é campo de estudo da Biologia. O segundo nível, campo de estudo da Psicologia, é a ontogênese. Esta reporta-se ao que ocorre durante o tempo de vida de um indivíduo, isto é, todas as experiências e relações que ele estabelece com o mundo. Enfim, o último nível: a cultura, que se manifesta durante milhares de anos e representa os comportamentos de um grupo dentro de uma sociedade. Este nível seria objeto de estudo da Antropologia. Logo, o estudo do comportamento humano deveria levar em consideração os três níveis de seleção: filogênese, ontogênese e cultura, que atuam conjuntamente na determinação do comportamento (BAUM, 2008; SKINNER 1953).

 

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A Terapia Comportamental, atuação clínica fundada a partir da AC, se apresentou eficaz no tratamento de fobias específicas e transtornos obsessivo-compulsivos. Entretanto, suas limitações teóricas e aplicadas se evidenciaram diante da reduzida gama de transtornos sobre a qual atuava, entre elas a Depressão (SERRA, 2016). Uma das principais características da Terapia Comportamental  diz respeito à sua recusa aos conceitos e técnicas das áreas cognitivas, o que levou à insatisfação de um grande número de clínicos e ao surgimento da Terapia Cognitiva (TC). 

 

A origem da Terapia Cognitiva se deu em Aaron Beck, por meio de seus experimentos e observações clínicas, originalmente desenvolvidas para o tratamento da Depressão (KNAPP, 2004). Ao basear-se em pesquisas sistemáticas e observações clínicas, Beck sugeriu que a sintomatologia depressiva poderia ser explicada em termos cognitivos como interpretações distorcidas das situações, com foco nas representações negativas de si mesmo, do mundo e do futuro, isto é, a tríade cognitiva (KNAPP; BECK, 2008).    

 

A TC tem suas premissas embasadas na inter-relação entre cognição, emoção e comportamento, e tanto o funcionamento normal do ser humano quanto o psicopatológico ocorrem a partir dessa relação durante todo processo de desenvolvimento humano (KNAPP, 2004). A interpretação equivocada de uma experiência, processo que envolve pensamento e emoção, tem como consequência uma ampliação na percepção falha de um indivíduo, o que ocorre de modo distinto nos diferentes transtornos. O objetivo principal da TC é corrigir essas distorções cognitivas e, na medida em que os pensamentos distorcidos são ajustados, ocorrem mudanças de nível comportamental, emocional e fisiológico. Este processo acontece a partir de uma enorme quantidade de variáveis e não constitui um modelo causal, mas interacional, ao passo que envolve pensamentos, sentimentos, comportamentos, fisiologia e ambiente.

 

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Os Behavioristas, interessados nas características do modelo clínico cognitivo proposto por Beck que envolvia tarefas comportamentais, sessões estruturadas, prazo de tratamento, registro diário de experiências, passaram a incluir técnicas cognitivas em seus programas de intervenção, e tomaram a cognição como um construto mediacional entre ambiente e o comportamento (SERRA, 2016).          

 

No momento em que os conceitos e ferramentas da Terapia Cognitiva inseriram-se na prática da Análise do Comportamento, nasceu a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Sua integração evidenciou a eficácia no tratamento da Depressão e também nos Transtornos de Ansiedade, campos que a Terapia Comportamental atuava com autoridade. A inserção dos conceitos cognitivos permitia uma maior exploração e alcance da Terapia Comportamental aos conteúdos psicológicos, características que garantiram a incorporação de técnicas cognitivas à Terapia Comportamental. 

 

Atualmente, as diferenças mais proeminentes entre a Terapia Cognitivo-Comportamental e Análise do Comportamento são de ordem epistemológica e no modelo explicativo. Enquanto a TCC se detêm nas explicações do comportamento com ênfase nas inter-relações entre cognição, ambiente e comportamento, e prioriza os processos cognitivos em que o homem reage a um ambiente percebido e não a um ambiente real, a AC busca suas explicações, basicamente, nas relações funcionais entre organismo e ambiente, ou seja, na determinação ambiental dos comportamentos, tanto públicos quanto privados (KNAPP, 2004; BAUM, 2008).

 

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Fonte: http://julianamorillo.com.br/terapia-cognitivo-comportamental.html

 

Na prática clínica, essas diferenças podem se traduzir na forma como os terapeutas intervêm no problema que o indivíduo traz à clínica. O processo terapêutico dentro da AC busca o controle das variáveis ambientais que contribuam para a extinção de determinados comportamentos considerados disfuncionais e em seguida a apropriação de outros que sejam mais adequados às diferentes situações (BAUM, 2008). A TCC tem seu foco nos problemas que são trazidos e apresentados pelo paciente. Trabalhar o comportamento assertivo é seu principal objetivo, assim como tornar o paciente um agente ativo de seu tratamento (KNAPP, 2008).

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BAUM, W. (2008). Compreender o Behaviorismo: Ciência, Comportamento e Cultura. Porto Alegre: Artes Médicas do Sul.

 

KNAPP, P. (2004). Principios Fundamentais da Terapia Cognitiva. Em P. KNAPP, Terapia Cognitivo-Comportamental na prática psiquiátrica (pp. 19-41). Porto Alegre: Artes Médicas do Sul.

 

KNAPP, P., & BECK, A. T. (2008). Cognitive Therapy: foundations, conceptual models, applications and research. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, 54-64.

 

SERRA, A. M. (2016). Terapia Cognitiva, Terapia Comportamental e Terapia Cognitivo-Comportamental. ITC – Instituto de Terapia Cognitiva, 5-16. Acesso em 15 de dez. de 2016, disponível em <http://www.itcbr.com/artigo_drana_tc.shtml>.

 

SKINNER, B. F. (1953). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes.

Sou aluno de Psicologia do 9º período. Já pensei em cursar Biologia, e um dia quem sabe faça alguma especialização na área. Tenho interesse pelo modelo explicativo Cognitivo-Comportamental, Neuropsicologia, Psicologia Evolucionista e Design. Tenho me direcionado às áreas de desenvolvimento de jogos para intervenções psicoterápicas apesar de nunca ter sido um jogador de games na minha adolescência, a não ser pela longas horas com um minigame preto jogando tetris. As inovações tecnológicas tem permitido a alteração de várias práticas sociais e educacionais, e acredito que a Psicologia deve ser apropriar desses conhecimentos para progredir no seu objetivo de instituir-se como ciência. Quero visitar a Nasa. Vou curtir e olhar Dragon Ball até morrer.

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